Um prato fundo de cerâmica cinza, sobre um fundo azul-petróleo. No centro, uma porção oval de caviar, de grãos grandes e escuros, apoiada numa camada dourada e borbulhante. Ao lado, pedaços escuros enrolados, mergulhados num caldo verde.
Esse é um dos pratos que o Smyth fotografou no último ano. O restaurante de John Shields e Karen Urie Shields tem três estrelas no Guia Michelin Chicago 2025, e a assessoria dele nos mandou a imagem junto com a lista do que vai no prato.
O que diz o restaurante
São cinco elementos:
Caviar N25 Kaluga, involtini de alga marinha com manteiga de sementes de abóbora, involtini de alface-do-mar com praliné de sementes de abóbora, geleia de tomate e melão fermentado.
Organizando:
- O caviar: Kaluga, da marca N25.
- Dois involtini de algas: um de alga marinha com manteiga de semente de abóbora; outro de alface-do-mar com praliné de semente de abóbora.
- Geleia de tomate.
- Melão fermentado.
O restaurante avisa que não tem pratos “fixos”: o menu muda o tempo todo, e esta foto foi feita ao longo do último ano.
Por trás do prato
As algas
As algas são uma obsessão recente de John Shields, segundo o Fine Dining Lovers. Em 2024, ele contou que o Smyth recebe algas da Baía de Monterey, na Califórnia, porque elas resolvem um problema de Chicago: “Com as algas, temos um verde fresco em fevereiro, quando há um palmo de neve lá fora.” No caviar, elas aparecem como involtini, rolinhos que, segundo o restaurante, levam recheios de semente de abóbora.
A fermentação
O melão fermentado sai do programa de fermentação do restaurante. Segundo o Fine Dining Lovers, em 2025 a cozinha mantinha fermentações próprias e fazia mais de 20 tipos de vinagre. O restaurante não detalhou como o melão é fermentado.
O caviar no Smyth
O caviar já tinha aparecido em outros pratos da casa citados pela imprensa. O Chicago Sun-Times descreveu, em agosto de 2026, ovos de codorna marinados com cebolinha, nozes-pretas e caviar. Em 2024, John contou ao Fine Dining Lovers sobre um prato com abacate glaceado com pasta de pistache e caviar: “Um pouco de luxo. Um pouco de Flórida. Um pouco de Meio-Oeste.”
O caviar Kaluga
O Kaluga (Huso dauricus) é um esturjão da bacia do rio Amur, que marca parte da fronteira entre a Rússia e a China, segundo a Imperia Caviar. O site da N25 o chama de “beluga de rio” e diz que ele é a segunda maior espécie de esturjão e o único do gênero Huso, além do próprio beluga, usado comercialmente para caviar.
Sobre o produto, a N25 informa que:
- os peixes são criados na China;
- o esturjão leva mais de uma década para produzir ovas;
- os grãos são grandes, de textura firme e cor castanho-avelã;
- o sabor tem “um final longo de umami limpo”.
A Imperia acrescenta que quase todo o Kaluga vendido hoje vem de um híbrido criado em cativeiro, cruzado com o esturjão do Amur (Acipenser schrenckii). Segundo a empresa, o cruzamento protege os estoques selvagens e dá mais regularidade às ovas. O peixe selvagem é gigantesco: a Imperia registra exemplares de até cerca de 5,6 metros e mil quilos, entre os maiores peixes de água doce já medidos.
Por que o caviar de criação
Os esturjões selvagens estão em situação grave. Segundo a North American Sturgeon and Paddlefish Society, a avaliação global da IUCN pôs todas as 27 espécies da ordem dos esturjões em alguma categoria de ameaça, de vulnerável a criticamente ameaçada. No caso do Kaluga, segundo a Imperia, quase todo o caviar vendido hoje vem de peixes criados em cativeiro.
As algas no prato
A alface-do-mar do segundo involtini é uma alga de distribuição mundial. Segundo a Wikipedia, a Ulva lactuca aparece na Europa, nas Américas, na África, na Ásia, na Austrália e nas ilhas do Pacífico, chega a 18 centímetros e se prende às pedras por um pequeno disco. No Havaí, onde se chama limu pālahala, é misturada a outras algas, salgada e servida com peixe cru, ou cozida em sopa; na Escócia, entra em sopas e saladas.
O primeiro involtini usa uma “alga marinha” que o restaurante não nomeou. Sabe-se, pelo Fine Dining Lovers, que as algas do Smyth vêm da Baía de Monterey e que a casa as usa até em sobremesa: em 2024, John descreveu uma “concha de mexilhão” feita de kelp cozido em calda de alcaçuz, recheada com caramelo de mexilhão.
Involtini e rollatini
O nome do prato vem da cozinha italiana. Segundo a Wikipedia, os involtini são fatias finas enroladas e assadas, quase sempre de berinjela levemente empanada e coberta com ricota e outros queijos; também há versões com vitela, frango ou peixe. A mesma fonte observa que “rollatini”, palavra comum nos Estados Unidos, não existe em italiano: é a adaptação ítalo-americana dos involtini. No Smyth, segundo a descrição do restaurante, o rolinho é de alga e o recheio, de semente de abóbora.
Os ingredientes, um a um
- Caviar N25 Kaluga: ova de esturjão Kaluga criado na China, de grão grande e firme, cor castanho-avelã (N25).
- Alga marinha: o restaurante não especificou qual alga forma o primeiro involtini.
- Alface-do-mar: alga verde do gênero Ulva. A Ulva lactuca é fina e plana, de bordas onduladas, e entra em sopas e saladas na Escócia e em pratos com peixe cru no Havaí (Wikipedia).
- Involtini: na cozinha italiana, fatias finas enroladas em volta de um recheio; a versão mais conhecida é a de berinjela com ricota (Wikipedia).
- Manteiga de semente de abóbora: recheio de um dos involtini, segundo o restaurante.
- Praliné de semente de abóbora: o praliné é um confeito de oleaginosas com açúcar (Wikipedia); aqui, feito com semente de abóbora.
- Geleia de tomate e melão fermentado: o restaurante não detalhou o preparo.
O prato lado a lado
| Elemento | O que é | De onde vem a informação |
|---|---|---|
| Caviar | N25 Kaluga, de esturjão criado na China | Smyth; N25 |
| Involtini 1 | Alga marinha com manteiga de semente de abóbora | Smyth |
| Involtini 2 | Alface-do-mar com praliné de semente de abóbora | Smyth |
| Doce e ácido | Geleia de tomate | Smyth |
| Fermentado | Melão fermentado | Smyth |
O que a foto mostra
- Um prato fundo de cerâmica cinza, com borda larga e marcas circulares do torno.
- Uma porção oval de caviar, de grãos escuros com reflexos dourados.
- Sob o caviar, uma camada dourada cheia de bolhas.
- Ao lado, pedaços escuros enrolados e um caldo verde.
O restaurante não identificou cada elemento na foto. Por isso, não dizemos o que é a camada dourada nem qual pedaço é cada involtini.
Curiosidades
- Mais de dez anos de espera: o esturjão Kaluga leva mais de uma década para produzir ovas (N25).
- Parente do beluga: o Kaluga é do mesmo gênero do beluga, Huso, e é o único outro desse gênero usado para caviar comercial (N25).
- Peixe de fronteira: o Kaluga vem da bacia do rio Amur, entre a Rússia e a China (Imperia Caviar).
- 27 espécies em risco: todas as espécies de esturjão estão em alguma categoria de ameaça da IUCN (NASPS).
- Algas em pleno inverno: o Smyth usa algas da Baía de Monterey para ter “um verde fresco em fevereiro” (Fine Dining Lovers, 2024).
Informações práticas
| Restaurante | Smyth |
| Endereço | 177 N. Ada Street, Suite 101, Chicago, IL 60607, Estados Unidos |
| Chefs | John Shields (chef executivo) e Karen Urie Shields (chef executiva de confeitaria) |
| Estrelas | 3 estrelas Michelin (Guia Michelin Chicago 2025) |
| Menus | Smyth Menu US$ 420; Chef’s Menu US$ 550 (outubro de 2026); só o Chef’s Menu a partir de 5 nov. 2026 |
| Restrições | O site avisa que o restaurante não consegue atender alergia a todos os frutos do mar ou algas |
| Site | smythchicago.com |
A história do restaurante, os preços e como reservar estão no artigo Smyth, em Chicago: o três estrelas de John e Karen Urie Shields.
Nota editorial
Este é um texto de pesquisa: não estivemos no restaurante. Em 5 de outubro de 2026, Jacqueline Southwell, da assessoria Kinship, nos mandou a foto e os elementos do prato, pedindo o crédito “Smyth”; a versão em português é nossa. O que contamos sobre o caviar Kaluga e os demais ingredientes vem das fontes listadas e não revela a receita da casa. O menu muda com frequência, e este prato pode não estar mais nele.
Perguntas frequentes
Como é o prato de caviar do Smyth?
Segundo o restaurante, leva caviar N25 Kaluga, involtini de alga marinha com manteiga de semente de abóbora, involtini de alface-do-mar com praliné de semente de abóbora, geleia de tomate e melão fermentado.
O que é caviar Kaluga?
É a ova do esturjão Kaluga (Huso dauricus), espécie da bacia do rio Amur, na fronteira entre a Rússia e a China. Segundo a marca N25, o Kaluga é o único parente do beluga usado comercialmente para caviar, e o peixe leva mais de uma década para produzir ovas.
O que é a marca N25?
É uma marca de caviar. Segundo o site da N25, o caviar Kaluga da marca vem de esturjões criados na China, tem grãos grandes, textura firme, cor castanho-avelã e um final longo de umami.
O que são involtini?
Involtini são "rolinhos", na cozinha italiana: fatias finas de um ingrediente, como berinjela ou carne, enroladas em volta de um recheio. No Smyth, segundo o restaurante, os rolinhos são de algas.
O caviar é sustentável?
Os esturjões selvagens estão entre os animais mais ameaçados do planeta: segundo a North American Sturgeon and Paddlefish Society, a IUCN classificou as 27 espécies da ordem como ameaçadas em algum grau. Segundo a Imperia Caviar, quase todo o Kaluga vendido hoje vem de criação, e a N25 informa que o seu é criado na China.
O que é alface-do-mar?
É uma alga verde do gênero Ulva, fina e plana, de bordas onduladas, encontrada em águas rasas de quase todo o mundo. Segundo a Wikipedia, é comida em sopas e saladas na Escócia e, no Havaí, com o nome de limu pālahala, servida com peixe cru ou em sopa.
O Smyth atende quem tem alergia a frutos do mar?
Não totalmente. O site do Smyth avisa que o restaurante não consegue atender, com segurança, quem tem alergia a todos os frutos do mar ou a algas, porque esses ingredientes são a base de muitos preparos. Outras restrições podem ser atendidas com aviso prévio no Smyth Menu.
Fontes
- Smyth: descrição do prato e foto enviadas ao Guia da Alta Gastronomia por Jacqueline Southwell, assessoria Kinship (5 out. 2026)
- N25 Caviar: "N25 Kaluga Caviar" (consultado em 6 out. 2026)
- Imperia Caviar: "Kaluga Caviar: What It Is & How It Differs From Other Types of Caviar" (26 ago. 2026)
- North American Sturgeon and Paddlefish Society: IUCN Assessment
- Fine Dining Lovers (Kiki Aranita): "Love, joy, and mussels for dessert at Smyth" (4 jun. 2024)
- Fine Dining Lovers (Ari Bendersky): "Pursuing a Star Takes Focus. Keeping Three? That Takes a Team." (9 abr. 2025)
- Chicago Sun-Times (Ambar Colón): "How Smyth became North America's No. 1 restaurant, even as Chicago restaurants struggle" (25 ago. 2026)
- Wikipedia: "Rollatini" (involtini)
- Wikipedia: "Ulva lactuca" (alface-do-mar)
- Wikipedia: "Praline"
- Guia Michelin: ficha do Smyth (avaliação de 18 nov. 2025, consultada em 6 out. 2026)
Conteúdo produzido com apoio de IA e revisado pelo editor-chefe, Gustavo Leite dos Santos.



