Em agosto de 2016, o casal John Shields e Karen Urie Shields abriu um restaurante de menu degustação no bairro West Loop, em Chicago. Dois meses depois veio a primeira estrela Michelin. Dez anos mais tarde, o Smyth tem três estrelas no Guia Michelin Chicago 2025, é o único três estrelas da cidade e foi eleito em maio de 2026 o melhor restaurante da América do Norte pela lista North America’s 50 Best Restaurants.
Este artigo conta a história da casa, mostra como a cozinha trabalha segundo o próprio restaurante e a imprensa, traz os menus e os preços e explica como reservar. As fotos foram cedidas pelo Smyth ao Guia da Alta Gastronomia.
Um restaurante com nome de condado
O nome não é de família. Antes do Smyth, John e Karen moraram na zona rural da Virgínia, onde comandaram o restaurante Town House, na cidade de Chilhowie, que fica no condado de Smyth. Em entrevista ao Fine Dining Lovers, em 2024, John descreveu o lugar como extremamente rural, com cerca de 1.800 habitantes, cercado de mata e montanhas. O casal morou ali quatro anos.
Segundo o Chicago Sun-Times, o casal chegou ao Town House por um anúncio no Craigslist, que os pôs em contato com os donos, Kyra e Tom Bishop. Uma crítica do New York Times, em 2009, transformou o restaurante em destino de quem viajava de carro pela região. Foi ali, contou Karen ao jornal, que os dois encontraram o próprio caminho na cozinha e a ligação com os ingredientes e com a terra.
Em 2012, o hoje sócio Keith Shapiro telefonou com uma pergunta, segundo o Sun-Times: “Por que vocês não dão mais uma chance a Chicago?” O último jantar no Town House foi numa noite de Ano-Novo. Quando abriram a casa nova, batizaram-na com o nome do condado em que tinham vivido.
O casal por trás do Smyth
John e Karen se conheceram na cozinha do Charlie Trotter’s, um dos restaurantes mais influentes de Chicago, hoje fechado. Ele era subchefe; ela chegou a chefe de confeitaria, segundo o Fine Dining Lovers. “Não foi amor à primeira vista. Foi amizade à primeira vista”, disse John à revista. Ele depois saiu para integrar a equipe de abertura do Alinea, como subchefe de Grant Achatz.
Em julho de 2026, contou o Sun-Times, o casal completou 17 anos de casamento. Os dois têm duas filhas. Hoje a divisão do trabalho é clara: John cuida da cozinha salgada; Karen comanda a confeitaria e a parte de negócios, com investidores, contadores e produtores. “Sem ela, este lugar não existe”, disse John ao Fine Dining Lovers.
A trajetória completa do chef está no artigo John Shields, o chef do Smyth.
A cozinha, segundo o Guia Michelin
A ficha do Guia Michelin, com a avaliação de novembro de 2025, descreve o Smyth como uma experiência refinada e acolhedora ao mesmo tempo, com um menu degustação muito pessoal, guiado pelos ingredientes. Os inspetores destacam:
- a cozinha aberta e o salão “caloroso e discreto”, num ambiente ao mesmo tempo sofisticado e descontraído;
- os ingredientes escolhidos com cuidado, alguns colhidos na natureza ou na própria região;
- pratos “criativos sem excesso”, que mostram um ponto de vista claro e deixam o ingrediente em primeiro plano.
O chef Grant Achatz, ex-chefe de John no Alinea, resumiu a cozinha num depoimento ao Resy pelos dez anos da casa: uma técnica que lembra a dos países nórdicos, com fermentação, algas, uma busca paciente pelo umami e legumes e frutos do mar tratados com a seriedade que muitas cozinhas reservam à carne.
De onde vêm os ingredientes
O próprio site do Smyth diz que a casa viaja “aos cantos do país” atrás de agricultores, pescadores e produtores no auge da estação. A imprensa dá nomes e lugares:
- Feira de sábado: segundo o Sun-Times, John é dos primeiros a chegar à Green City Market, no Lincoln Park, nas manhãs de sábado, para escolher os produtos.
- Horta no telhado: o mesmo jornal conta que, por volta das 7h, ele cuida da horta no terraço, que fornece muitas das ervas e flores comestíveis dos pratos.
- Produtores do Meio-Oeste: a abóbora kakai, de polpa clara, vem de Jerry Boone, da Froggy Meadow Farm, em Beloit, no Wisconsin, que também trabalha há cerca de dois anos num inhame japonês para o restaurante (Sun-Times).
- De costa a costa: o Fine Dining Lovers listou, em 2024, truta de Hollis, no Maine; ovos de codorna de Wilmington, no Illinois; algas da Baía de Monterey, na Califórnia; cogumelos enoki da Four Star Mushrooms, de Chicago; e enguias do litoral do Maine.
- Feito na casa: segundo o Fine Dining Lovers (2025), a equipe germina os próprios grãos, prática que o casal começou no Town House, mantém um programa de fermentação, faz mais de 20 tipos de vinagre, prepara os próprios nibs de cacau e cultiva folha de figo para extrair um óleo aromático usado no lugar do manjericão.
O cuidado custa caro. John contou ao Sun-Times que os ovos de um produtor específico saem a US$ 45 a dúzia. “É sempre o produto”, disse ele ao The World’s 50 Best. “Mas a gente olha para ele de outro jeito.”
O que já passou pelo menu
O menu muda o tempo todo, e o restaurante avisa que não tem pratos “fixos”. Para dar uma ideia do estilo, estes pratos foram citados pela imprensa em 2024 e 2026:
| Prato | Como foi descrito | Fonte |
|---|---|---|
| Enguia caramelizada | Sobre torrada de brioche, com pétalas de magnólia cultivada em Chicago | Sun-Times, 2026 |
| Ovos de codorna | Marinados com cebolinha, nozes-pretas e caviar | Sun-Times, 2026 |
| Abalone com maitake | Molho servido à mesa, de caldo de abalone, cogumelos, manteiga noisette e algas | Sun-Times, 2026 |
| Torta de praliné de pistache | Base de kombu (alga) e maracujá | Sun-Times, 2026 |
| Torta quente de cogumelo e chocolate | Junta a confeitaria de Karen e a cozinha de John | The World’s 50 Best, 2026 |
| Caramelo de mexilhão | Alga kelp em calda de alcaçuz, em forma de concha de mexilhão | Fine Dining Lovers, 2024 |
| Parfait de ouriço do Maine | Mostrado em foto do restaurante | Resy, 2026 |
As fotos que o Smyth cedeu ao Guia mostram quatro pratos fotografados ao longo do último ano, cada um com artigo próprio:
- O abalone com maitake
- Uni Cloud, a nuvem de ouriço e lagosta
- O cannoli de enoki
- O caviar Kaluga com involtini de algas
Os menus e quanto custa
Os preços abaixo estavam no site do Smyth em 6 de outubro de 2026. A conversão usa a cotação do Banco Central Europeu de 2 de outubro de 2026 (US$ 1 = R$ 5,2214) e é aproximada.
| Menu | Como funciona | Duração | Preço por pessoa | Em reais (aprox.) |
|---|---|---|---|---|
| Smyth Menu | O menu degustação da casa, “enraizado na tradição” | 2h30 a 3h | US$ 420 | R$ 2.190 |
| Chef’s Menu | Versão ampliada, com etapas extras, em horário nobre; os chefs apresentam alguns pratos à mesa | 3h30 | US$ 550 | R$ 2.870 |
Duas mudanças já anunciadas no site:
- A partir de 5 de novembro de 2026, o Smyth passa a oferecer um único menu: o Chef’s Menu ampliado.
- Também a partir dessa data, a reserva exige pagamento integral na hora, no lugar do antigo depósito.
Para comparar: quando abriu, em 2016, o menu degustação custava US$ 135, segundo o Sun-Times. O jornal atribui a alta à inflação, aos problemas na cadeia de alimentos e ao custo da mão de obra. “Dá para ajustar preço, ainda mais com prêmios”, disse John. “Mas tentamos não exagerar.”
Restrições alimentares
O Smyth Menu aceita várias restrições, com aviso prévio. O site lista o que não consegue atender por causa da base dos preparos: dietas veganas; alergia a ovo em qualquer forma; alergia a cogumelos; dietas sem laticínios quando a manteiga clarificada não é permitida; alergia a semente ou óleo de girassol; e alergia a todos os frutos do mar ou algas. O Chef’s Menu não aceita restrições nem alergias.
O salão e a cozinha aberta
A foto de capa, cedida pelo restaurante, mostra o centro da casa: um longo balcão preto diante da cozinha aberta, colunas de madeira, luminárias de cobre penduradas sobre o passe e a equipe trabalhando ao fundo. Em primeiro plano, uma mesa de madeira já posta, com guardanapos cinza e uma vela.
O Guia Michelin cita justamente a cozinha aberta e o salão “caloroso e discreto”. Em 2025, segundo o Fine Dining Lovers, a cozinha tinha 14 pessoas. John comparou o trabalho a “um espetáculo da Broadway que nunca acaba e está sempre sendo ajustado”.
The Loyalist, o vizinho de baixo
No subsolo do mesmo prédio funciona The Loyalist, o restaurante mais descontraído do casal, aberto um mês antes do Smyth, segundo o Sun-Times. O cardápio é de bistrô, com hambúrguer, truta à grenobloise e sopa de cebola, segundo o The World’s 50 Best. O hambúrguer da casa, o “OG cheeseburger”, de acém e bacon de porco, custa US$ 28 e costuma aparecer entre os melhores de Chicago (Sun-Times).
Os donos dizem que uma casa sustenta a outra. “Sempre quisemos que o Loyalist fosse um lugar de bairro, fiel às técnicas clássicas”, disse Karen ao jornal.
A história em datas
| Ano | O que aconteceu | Fonte |
|---|---|---|
| 2008 | John e Karen recusam abrir um restaurante de Charlie Trotter em Las Vegas e vão para a Virgínia | Fine Dining Lovers |
| 2009 | Crítica do New York Times põe o Town House no mapa | Sun-Times |
| 2010 | John é eleito um dos Best New Chefs da Food & Wine | Fine Dining Lovers |
| 2012 | Keith Shapiro convida o casal a voltar a Chicago | Sun-Times |
| 2016 | Abertura do Smyth, em agosto; primeira estrela Michelin dois meses depois | Fine Dining Lovers |
| 2017 | Segunda estrela Michelin | Fine Dining Lovers |
| 2020 | Restaurante do Ano no Jean Banchet Awards | FSR |
| 2023 | Terceira estrela Michelin | Sun-Times; FSR |
| 2024 | Entra na lista estendida do The World’s 50 Best, em 90º lugar | FSR |
| 2025 | 4º lugar no North America’s 50 Best; mantém as três estrelas em novembro | FSR |
| 2026 | Nº 1 no North America’s 50 Best (maio); dez anos de casa; Conor Dalton chega como chef de cozinha (setembro) | The World’s 50 Best; Newcity |
Um novo chef de cozinha
Em setembro de 2026, o Smyth anunciou o britânico Conor Dalton como chef de cozinha (head chef). Segundo o Newcity, ele tem mais de vinte anos de experiência em alta gastronomia, inclusive no Skof, em Manchester, e no The Five Fields, em Londres. John Shields continua como chef executivo e, segundo a mesma reportagem, os dois vão trabalhar juntos para manter os padrões rigorosos da casa.
Como reservar
- Pelo site oficial (smythchicago.com), no botão de reservas.
- Quando abre a agenda: a partir de 5 de novembro de 2026, as reservas são liberadas com 90 dias de antecedência, em janela contínua, ao meio-dia no horário de Chicago, segundo o site.
- Dúvidas: pelo e-mail info@smythandtheloyalist.com ou pelo telefone +1 773-913-3773, que aparece na ficha do Guia Michelin.
- Dias e horários, segundo o Guia Michelin: de terça a sábado, das 17h às 21h; fechado no domingo e na segunda.
- Fuso horário: Chicago segue o horário central dos Estados Unidos. Em outubro, são 2 horas a menos que Brasília.
Curiosidades
- Nome emprestado: o Smyth homenageia o condado de Smyth, na Virgínia, onde fica a cidade de Chilhowie, sede do antigo Town House (The World’s 50 Best; Fine Dining Lovers).
- Estrela em dois meses: a primeira estrela Michelin chegou só dois meses depois da abertura (Fine Dining Lovers).
- Único três estrelas da cidade: desde novembro de 2025, quando o Alinea passou a ter duas estrelas, o Smyth é o único três estrelas de Chicago (Sun-Times).
- Um em quatorze: o site do restaurante diz que o Smyth é um dos 14 restaurantes com três estrelas nos Estados Unidos.
- Segundo nº 1 da lista: o Smyth é o segundo nº 1 da lista North America’s 50 Best, criada em 2025, quando o primeiro lugar foi do Atomix, de Nova York (The World’s 50 Best).
Informações práticas
| Endereço | 177 N. Ada Street, Suite 101, Chicago, IL 60607, Estados Unidos (West Loop) |
| Chef executivo | John Shields |
| Chef executiva de confeitaria | Karen Urie Shields |
| Chef de cozinha | Conor Dalton (desde setembro de 2026) |
| Confeiteira | Jenna Pegg |
| Gerente-geral | Cara Sandoval |
| Estrelas | 3 estrelas Michelin (Guia Michelin Chicago 2025) |
| Cozinha | Contemporânea, criativa (Guia Michelin) |
| Menus | Smyth Menu US$ 420; Chef’s Menu US$ 550 (outubro de 2026); só o Chef’s Menu a partir de 5 nov. 2026 |
| Funcionamento | Terça a sábado, das 17h às 21h |
| Telefone | +1 773-913-3773 |
| info@smythandtheloyalist.com | |
| Site | smythchicago.com |
O Smyth também está na nossa página de restaurantes estrelados dos Estados Unidos.
Nota editorial
Este artigo foi feito por pesquisa, sem visita ao restaurante. As informações vêm do site oficial do Smyth, da ficha do Guia Michelin e das reportagens listadas nas fontes. As fotos foram cedidas pelo restaurante em 5 de outubro de 2026 por Jacqueline Southwell, da assessoria Kinship, com crédito “Smyth”; da foto de capa foi cortada apenas a lateral esquerda. As frases publicadas em inglês foram traduzidas por nós. O conteúdo sobre bebidas do restaurante não entra neste guia por decisão editorial. Menus e preços mudam; confirme tudo no site oficial antes de planejar a viagem.
Perguntas frequentes
Quantas estrelas Michelin tem o Smyth?
Três estrelas, no Guia Michelin Chicago 2025, divulgado em novembro de 2025. Segundo a revista FSR, foi o terceiro ano seguido com três estrelas, depois de 2023 e 2024. Hoje o Smyth é o único três estrelas de Chicago.
Quanto custa jantar no Smyth?
Em outubro de 2026, o site do Smyth listava o Smyth Menu a US$ 420 por pessoa (cerca de R$ 2.190) e o Chef's Menu a US$ 550 (cerca de R$ 2.870), pela cotação do Banco Central Europeu de 2 de outubro de 2026. A partir de 5 de novembro de 2026, o restaurante passa a oferecer só o Chef's Menu, com pagamento integral na reserva.
Quem são os chefs do Smyth?
O casal John Shields, chef executivo, e Karen Urie Shields, chef executiva de confeitaria e responsável pela parte de negócios. Em setembro de 2026, o restaurante anunciou o britânico Conor Dalton como chef de cozinha (head chef), trabalhando ao lado de John.
Por que o restaurante se chama Smyth?
É uma homenagem ao condado de Smyth, na Virgínia, onde John e Karen comandaram o restaurante Town House, na cidade de Chilhowie, antes de voltar a Chicago, segundo o The World's 50 Best e o Chicago Sun-Times.
Onde fica o Smyth?
Na 177 N. Ada Street, Suite 101, no bairro West Loop, em Chicago. No andar de baixo funciona The Loyalist, o restaurante mais descontraído do mesmo casal.
O Smyth atende restrições alimentares?
Atende várias, com aviso prévio, no Smyth Menu. O site avisa que não consegue atender dietas veganas, alergia a ovo, a cogumelos, a semente ou óleo de girassol, a todos os frutos do mar ou algas, nem dietas sem laticínios quando a manteiga clarificada não é permitida. O Chef's Menu não aceita restrições.
Fontes
- Smyth: página "Dining at Smyth" (consultada em 6 out. 2026)
- Smyth: página "Team" (consultada em 6 out. 2026)
- Smyth: página "Press" (consultada em 6 out. 2026)
- Guia Michelin: ficha do Smyth (avaliação de 18 nov. 2025, consultada em 6 out. 2026)
- Chicago Sun-Times (Ambar Colón): "How Smyth became North America's No. 1 restaurant, even as Chicago restaurants struggle" (25 ago. 2026)
- The World's 50 Best Restaurants (Olivia Simpson): "Chicago's Smyth is named The Best Restaurant in North America 2026" (28 maio 2026)
- Fine Dining Lovers (Ari Bendersky): "Pursuing a Star Takes Focus. Keeping Three? That Takes a Team." (9 abr. 2025)
- Fine Dining Lovers (Kiki Aranita): "Love, joy, and mussels for dessert at Smyth" (4 jun. 2024)
- FSR Magazine: "Smyth in Chicago Earns Three Michelin Starred Status for Third Straight Year" (19 nov. 2025)
- Resy (Laura Scherb): "A Chef Tribute to Smyth on Their 10th Anniversary" (28 set. 2026)
- Newcity: "Smyth's New Head Chef" (28 set. 2026)
- Fine Dining Lovers: perfil de Karen Urie Shields (consultado em 6 out. 2026)
- Frankfurter (cotações do Banco Central Europeu): USD para BRL em 2 out. 2026
Conteúdo produzido com apoio de IA e revisado pelo editor-chefe, Gustavo Leite dos Santos.



